21/11/2017


E eis que 2017 teve um burburinho bem marcante. Seu nome é The Handmaid's Tale. A grande nova série da Hulu, sistema de streaming igual Netflix que infelizmente não está disponível no Brasil, estava entre nós e de repente todos estavam comentando. Falando a verdade, eu não conheci a série por causa do borburinho em si, mas sim por grupos de Gilmore Girls que divulgavam a série pois a Alexis Bledel, que deu vida a nossa amada Rory Gilmore, participava da produção. Como uma boa fã, fiquei curiosa e pesquisei sobre mas acabei só vendo algumas fotos e segui a vida. Não conheci pelo burburinho de fato, mas foi ele que me instigou a ver a série.

Quando percebi, estava rodeada de artigos falando da importância da série e com postagens da Rocco que divulgava fortemente sua nova edição do livro "O Conto da Aia" que deu origem a adaptação. Saber que era baseado em um livro aumentou ainda mais a minha vontade de conhecer essa história e tive que me segurar muito para não devorar os 10 episódios antes de concluir minha leitura.

O livro foi publicado pela primeira vez em 1985 e voltou com tudo esse ano por conta da adaptação pela Hulu mas a história já teve duas outras adaptações em formato de filme e ópera. Narrado em primeira pessoa, o livro nos conta a história de Offred, uma aia que vive como uma prisioneira em sua nova casa. Ambientado em Gilead, que antes se localizava os Estados Unidos, essa sociedade agora segue uma teonomia cristã militar imposta por um golpe de um grupo denominados "Filhos de Jacó". Seguindo a "palavra divina", todas as mulheres perdem seus direitos e são divididas em categorias e possuem uma função específica. As aias são mulheres férteis que são obrigadas a viverem nas casas de homens da elite e serem estupradas até engravidar.


Isso porque devido a uma catástrofe nuclear, um grande números de pessoas se tornaram estéreis e a taxa de natalidade foii lá para baixo, o que preocupa toda a população. De qualquer forma, nessa sociedade as mulheres não são vistas como indivíduos mas sim como suas funções. E é absolutamente assustador quando você pensa nessa sociedade. Com tudo que anda acontecendo atualmente, o que não devia passar de ficção fica cada vez mais próximo da nossa realidade. Não estou dizendo que tudo o que tem nesse livro poderia acontecer exatamente da mesma forma, mas não é segredo para ninguém que desde dos tempos mais antigos as mulheres são vistas de forma inferior e como "donas" de certas funções como se fosse determinado pelo nosso sexo.

Há inclusive uma cena em que o comandante dizr numa conversa com a Offred dizendo que deram mais do que tiraram e os argumentos são simplesmente fantásticos:

Não se lembra do terrível abismo entre as que podiam conseguir um homem com facilidade e as que não podiam? Algumas delas ficavam desesperadas, passavam fome para ficarem magras, enchiam os seios de silicone mandavam cortar pedaços do nariz. Pense na infelicidade humana. [...] Da maneira como fazemos, elas conseguem um homem, ninguém é excluído. E depois, então, se de fato se casassem, podiam ser abandonadas com uma criança, duas crianças, o marido podia simplesmente achar que estava farto e largá-las, desaparecer, elas tinham que ficar às custas dos serviços sociais do governo. Ou então o marido ficava por lá e batia nelas. [...] não recebiam nenhum respeito pelo fato de serem mães. Não é de se espantar que estivessem desistindo da coisa inteira. Da maneira como fazemos estão protegidas, podem realizar seus destinos biológicos em paz.[...]

Conseguem notar que todo seu argumento vai pro lixo quando você pensa um pouco mais profundamente sobre como uma situação chega nesse estado? As mulheres não ficariam "desesperadas" e mudariam seus corpos se não houvessem um padrão de beleza que é praticamente impossível de ser alcançado. E o fato de serem abandonadas com filhos não é de forma alguma culpa da mulher e sim da pessoa que a abandona, o mesmo pra a agressão. O livro também traz um julgamento terrível se a mulher fizesse algo contra a vida. Em uma das lembranças de Offred de quando ela estava "em preparação" para ser mandada para um comandante junto com outras mulheres, há o relato de Janine em que ela conta do estupro coletivo que acabou numa gravidez que ela interrompeu. E o modo como as Tias do lugar obrigam todas a fazer Janine acreditar que o que lhe aconteceu era culpa dela e que Deus permitiu que isso acontecesse para lhe ensinar uma lição é simplesmente aterrorizante.

Eu não conhecia Margaret Atwood antes de todo o burburinho, mas sinto que a conheci num momento apropriado para minha idade e toda a situação atual. O livro dela me faz querer lutar cada vez mais para que nós não tenhamos que enfrentar na pele situações como a de seu universo, e na minha opinião é um livro que todos devem ler durante a vida.

Título Original: The Handmai's Tale
Autora: Margaret Atwood
Editora: Rocco
Páginas: 366
Tradução: Ana Deiró

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09/09/2017


E pra fechar o ciclo que eu mesma fiz aqui nesse blog, hoje eu venho falar um pouco sobre a adaptação cinematográfica de Les Misérables! Já fiz um post falando sobre a versão brasileira da peça, você pode ler clicando aqui.

Vamos lá, o filme conta a história de Jean Valjean que foi preso depois de roubar um pedaço de pão para alimentar os filhos de sua irmã. Ele acaba ficando 19 anos nas galés, sua pena é gigante pois aumentava sempre que ele era pego tentando fugir. Ao fugir de sua condicional Valjean é perseguido sua vida toda por Javert, inspetor da polícia. Valjean tenta viver sua vida de forma honesta depois de um gesto de amor do Bispo de Digne.

Durante sua trajetória ele conhece Fantine e promete que vai cuidar de sua filhinha, Cosette. Após um pulo no tempo, vemos Cosette já crescida e se apaixonando por Marius, um estudante que faz parte do grupo que vai participar da revolta de junho de 1832. Há também os Thénardier, família que Fantine pagava para cuidar da pequena Cosette e que são pais de Eponine, que é extremamente apaixonada por Marius. E não podemos esquecer de Gavroche, um menino de rua muito esperto e talvez o melhor personagem.

O filme foi lançado em 2012 e a trouxa aqui não quis ver no cinema na época, me arrependo até hoje, quando ele foi lançado eu ainda não era tão ligada em musicais e acabei não tendo tanto interesse assim. Fui ver só depois e porque minha prima e minha irmã me obrigou, acabou que eu não entendi nada pois não prestei atenção e fui taxada como sem coração HAHAHA MAS algum tempo depois disso eu resolvi ver sozinha e por livre e espontânea vontade e AMEI.

E assim que minha relação com Os Miseráveis começou! Desde então eu assisti ao filme diversas vezes, chorei em todas e resolvi que iria ler o livro na íntegra. Primeiro grande clássico que eu quis ler, coragem. Mas amei demais e você pode saber um pouco mais sobre clicando aqui. 

Como deixei mais do que claro na minha postagem sobre a peça, Les Mis me mudou completamente e isso se deu pelo filme. E agora tendo visto a peça que deu origem ao filme, isso porque essa adaptação é baseada na peça e não no livro propriamente dito, eu consigo ver o quão bem feito ele é. Não era realmente nenhuma surpresa já que ele sempre foi um filme lindíssimo esteticamente falando, isso sem contar os atores que arrasam toda vez que aparecem na tela. Todos são extremamente bons e com uma voz de arrepiar qualquer um!

Fico chocada cada vez que conheço alguém que nunca assistiu a essa adaptação. Mas existe ainda, então se você é uma dessas pessoas eu te imploro! Pegue um tempo e vai assistir a esse filme pois ele merece o seu tempo e quem sabe você não se apaixona pelo gênero? 

Título Original: Les Misérables
Gênero: Drama/Musical
Direção: Tom Hooper
Duração: 152 minutos
País: Reino Unido
Ano: 2012

08/09/2017


Tomei vergonha na cara e finalmente vim falar de 'Os Miseráveis'.
E eu sumi legal do blog, já peço desculpas. Tive alguns problemas pessoais e fiquei beeeem desanimada com tudo e não fiz quase nada além de dormir, comer e ir pra faculdade. Mas, tô tentando ficar melhor e voltar a ativa!
Parte do sumiço se deve a minha fuga de vir escrever sobre o melhor livro que eu já li, isso porque quando eu faço um post para o blog é como se fosse aquele momento em que você pega o livro e guarda na sua prateleira. Acabou aquela leitura, vamos pra próxima. Acho que eu não queria deixar de lado meu francesinho, não fazer o post era uma forma de deixar a experiência ativa. Mas, uma hora eu precisava fazer isso não é mesmo?

Então vamos lá! 
Assim como meu post sobre o musical Les Mis (que você pode ler clicando aqui), esse post vaia caber sendo bem mais emotivo. Acontece gente, não tem como ser diferente! Eu idolatro e lambo o chão de onde Os Miseráveis passa. ¯\_(ツ)_/¯

Os Miseráveis foi publicado em 1862 não só em Paris como em outras cidades do mundo simultaneamente (incluindo Rio de Janeiro!). A história se passa na França no século 19 e antes de mais nada, NÃO SE PASSA NA REVOLUÇÃO FRANCESA! Não achem que gritei, é só pra deixar em destaque mesmo pois sempre tem alguém que acha isso, mas não. A Revolução Francesa aconteceu em 1789 e nossa história tem início em 1815, okay?

Bom, é bem difícil explicar todo o enredo do livro já que diferente do filme que é bem focado em Jean Valjean, o livro coloca seu foco em cada um dos principais personagens em determinado momento. Isso porque Victor Hugo pega todos esses personagens e conta suas histórias como se fosse uma teia, assim todos possuem uma certa ligação com os outros. 
Particularmente, eu acredito que Jean Valjean é sempre visto como o "mais principal" pois de certa forma, vendo a história de forma cronológica, tudo tem início com ele. Mas ainda assim é complicado, já que tudo tem um porque passado.... AAAAAH! Enfim, vamos pegar ele como ponto de partida e falar mais ou menos a história tratada aqui.

O livro conta as histórias de personagens a margem da sociedade como ex-presidiários, prostitutas, meninos de ruas e as pessoas miseráveis do séculos 19. Jean Valjean é o grande herói da história, pelo menos para mim, ele foi preso ainda novo por roubar pão para alimentar os filhos de sua irmã. Ele acaba passando 19 anos nas galés pois sua pena aumentava sempre que era pego tentando fugir. Ao ser solto, ele passa por diversas rejeições e não consegue trabalho e nem ao menos um lugar para dormir, tudo porque ele tem o título de ex-prisioneiro. Eis então que ele é acolhido pelo Bispo de Digne, é importante dizer que Jean Valjean não era realmente alguém perigoso ou mau, mas ele mudou e ficou endurecido por causa tudo que lhe aconteceu na vida e quando tem uma oportunidade, rouba as pratarias do Bispo. Mas ele é pego, ele tenta se safar dizendo que foi presente do Bispo e quando a polícia o leva até a casa do Bispo para lhe devolverem as pratarias, ele confirma a história de Jean Valjean.

E é ali, com esse gesto de compaixão que Jean Valjean muda completamente. 
Ele usa as pratarias para se tornar um homem novo e honesto e faz de tudo para viver de forma correta seguindo as leis de Deus, ajudando a todos que passam por sua vida. Ele até consegue solucionar um certo problema em uma cidade e constrói um império e emprega várias pessoas dali. Fantine é uma dessas pessoas. 

Fantine é uma jovem que é obrigada a deixar sua filhinha Cosette com a família Thénardier pois teme que não conseguirá emprego sendo uma mãe solteira. Ela paga essa família para que cuidem de sua filha mas nem imagina que aquelas pessoas são lá flores que se cheirem. Eles tratam a garotinha como uma escrava e pega todo o dinheiro que Fantine manda. O que acaba sendo sendo frequente já que os Thénardier vivem dizendo que a pequena Cosette está doente e precisa de remédios caros. Tudo desmorona quando Fantine é despedida e para continuar mandando dinheiro ela vende tudo que tem e acaba na prostituição.

Numa noite Jean Valjean, que nessa época era conhecido como Senhor Madeleine, salva Fantine que já está muito doente, de Javert que pretende prendê-la. Javert é um inspetor que vive atrás de Jean Valjean desde que ele sumiu do mapa. A princípio Javert não reconhece o ex-prisioneiro mas acaba suspeitando mais adiante. De qualquer forma, Senhor Madeleine promete a Fantine que irá cuidar de sua filhinha. A partir daí, Valjean adotando Cosette, sua vida se resume a fugir das garras de Javert. Há então um salto no tempo que somos apresentados a outros personagens muito importantes como Marius e Gavroche. Não vou falar mais nada do enredo pois ficaria horas e horas escrevendo e no fim não falando nem metade do que acontece no livro. 

O livro é aberto com a citação mais linda que eu já li:
Enquanto, por efeito de leis e costumes, houver proscrição social, forçando a existência, em plena civilização, de verdadeiros infernos, e desvirtuando, por humana fatalidade, um destino por natureza divino; enquanto os três problemas do século - a degradação do homem pelo proletariado, a prostituição da mulher pela fome, e a atrofia da criança pela ignorância - não forem resolvidos; enquanto houver lugares onde seja possível a asfixia social; em outras palavras, e de um ponto de vista mais amplo ainda, enquanto sobre a terra houver ignorância e miséria, livros como este não serão inúteis.

Lindo pois já podemos ter uma ideia de quão fantástico é a escrita de Victor Hugo e também linda pois logo no início do livro, antes mesmo da narrativa propriamente dita começar, o autor já nos diz o que vai ser tratado, discutido e denunciado em suas mais de mil páginas de história. E particularmente me assusta pois agora, 155 anos depois dessas palavras, nós continuamos enfrentando os mesmos problemas que Victor Hugo nos descreve. É assustador que depois de tanto tempo nós continuamos quase que no mesmo lugar. Me parece que todo o progresso não passa de ilusão.

Mas isso também faz parte da genialidade dessa obra, Victor Hugo sabia que seus personagens poderiam ser identificados independentemente do lugar ou época. Pois o mundo é cheio de Jean Valjens, Fantines, Cosettes, Marius, Eponines e Gavroches. Não é atoa que o sucesso de Os Miseráveis continua forte assim como foi na época.

Desde o começo da leitura eu pude perceber o quão gostosa seria a narrativa do autor, admito que fiquei com medo de não conseguir acompanhar o contexto histórico, ainda mais sabendo que eu sou extremamente perdida com história, mas Victor Hugo nos conta tudo explicadinho e fica difícil não gostar de ler Os Miseráveis. Mesmo suas digressões são bem delícia de ler, tirando uma ou outra que acaba sendo um pouco cansativa. O negócio é que o autor sabe vender seu pão. Tudo que ele descreve é verossímil, mesmo que não seja verdade.

Logo após minha leitura eu li também o livro A Tentação do Impossível de Mario Vargas Llosa e contrariando o que disse logo no início dessa postagem, essa segunda leitura me fez concordar com Mario e acredito fortemente que quem protagonista nossa história é o Narrador.

Presença constante, arrebatadora, a cada passo ele interrompe o relato para opinar, às vezes em primeira pessoa e sob um nome que quer nos fazer acreditar é o próprio Victor Hugo, sempre em voz alta e cadenciada, para interpolar reflexões morais, associações históricas, poemas, lembranças íntimas, para criticar a sociedade e os homens em suas grandes intenções ou suas pequenas misérias, para condenar seus personagens ou elogiá-los.

Llosa também diz que apesar do Narrador tentar sempre nos fazer acreditar que ele o que ele nos narra é a mais pura verdade, ele não passa de um astuto fazedor de uma grandiosa mentira. E ainda diz que conforme a leitura avança, o leitor se submete a ditadura do Narrador. E olha, isso faz muito sentido. Quando comecei minha leitura eu questionava o que estava sendo descrito, ainda mais por ser perdida na história então queria saber além do que estava sendo contado, mas conforme fui avançando eu simplesmente comecei a aceitar os fatos narrados sem me preocupar se eram fatores reais ou ficção. Não importava pois era real para mim e para a história.

Em suma, a história de Os Miseráveis tende a ser religiosa. 
Tende não, ela realmente é religiosa. 

Mas apesar de toda a falsidade que o Narrador cria, ele consegue deixar sua história muito perto da realidade. Não sei vocês mas um romance me encanta quando nele há coisas mundanas e comuns no meio de toda a trama. Eu simplesmente não consigo engolir uma história em que acontecimentos gigantescos acontecem a todo o momento. A vida é tédio também. Espera, dramas, tristezas, felicidades momentâneas e tédio novamente. O Narrador deixa seus personagens viverem suas vidinhas mas os levam até suas ratoeiras, um local e situação em que todos seus personagens mais importantes se encontram para resolver alguma coisa.

Se você for ler Os Miseráveis, é importante levar em consideração a época em que ele foi escrito e seu estilo. Acredito que qualquer um pode se apaixonar por essa história, se ler de coração aberto. Há coincidências, os personagens são exagerados conforme suas maiores características e há as grandes interrupções do Narrador. Mas com calma você passa por todas as suas páginas e chora de tristeza por ter acabado (eu chorei horrores). Não tenha medo desse clássico tijolinho, vale a pena!

Ah, e leia A Tentação do Impossível também, vai abrir seus olhos para coisas que você nem ao menos pensou ao ler Os Miseráveis. ^-^

Título Original: Les Misérables
Autor: Victor Hugo
Editora: Cosac Naify
Páginas: 1976
Tradução: Frederico Ozanam Pessoa de Barros
COMPRAR: Penguin Companhia | Martin Claret

O que eu achei?
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14/08/2017


E cá estou eu! Eu honestamente não sei bem como expressar o quão importante essa história é para mim. Estou a meses tentando compor esse texto. Para ser mais específica, 4 meses! E isso porque Les Misérables é a porta de várias coisas que são extremamente importantes na minha vida. Apesar de não ser o primeiro musical que eu assisti isso se deve a High School Musical! e nem O musical que me fez me apaixonar pelo gênero quem leva o crédito é 'Cantando na Chuva' ele ainda tem um papel muito importante nessa minha caminhada entre os musicais. Ele foi o primeiro musical que me tocou de forma tão intensa que me fez mudar completamente, isso porque quando eu tive meu primeiro contato com essa história lá em 2012 pelo filme musical que tinha sido lançado, era uma época em que eu era fria de certa forma. Eu não chorava com nada e tinha essa ideia de que sentir era ruim e uma forma de fraqueza. Les Misérables aqueceu meu coração.

Além disso, essa história foi o primeiro contato que tive com os clássicos por livre e espontânea vontade, sem falar que a decisão do nome "Barricada de Livros" veio até mim pois eu estava escutando a música "Do You Hear the People Sing?" no momento em que comecei a pensar em que nome dar a esse projeto novo que queria começar e até agora tá sendo uma aventura e tanto (se quiser saber mais, é só clicar aqui). E agora esse ano ele foi meu primeiro contato com um musical no palco. Não que eu nunca tinha assistido a uma peça musical, mas ele foi a primeira grande produção entendem? Grande produção que me deixou encantada do início ao fim.
Fiquei sabendo que teríamos essa montagem logo depois de a T4F anunciou em sua página no facebook e desde então mina cabeça ficou só nisso. Não tinha certeza se iria ter a oportunidade de assistir e isso me matava por dentro! Mas eis que isso se tornou possível e eu consegui me acalmar um pouco. Bem pouco já que a partir disso eu tive que trabalhar com a minha ansiedade da data chegar, mas foi lindo ainda mais levando em consideração que foi no fim de semana logo depois das provas da faculdade.

Bem, o musical teve seu início com Alain Boublil e Claude-Michel Schönberg que fizeram os textos e as músicas respetivamente e em 1980 foi lançado um álbum com as músicas já prontas, nesse mesmo ano a versão teatral foi produzida em Paris, a peça foi um sucesso entre o público francês mas ficou em cartaz por apenas três meses. E eis que em 1982 o produtor Cameron Mackintosh entra em contato com o álbum francês e em 1985 a versão inglesa estreia em Londres. A crítica foi bem negativa com o espetáculo mas o público amou e deu no que deu! Les Misérables já é um adulto de 30 e tantos anos e continua firme e forte.


Les Misérables se passa no século 19 e possui várias histórias em seu enredo, eu particularmente não consigo apontar um protagonista. É claro que há um foco maior em Jean Valjean, principalmente no livro. mas no musical isso fica mais difícil de ser apontado pois há um grande foco em todos os personagens que vemos. Cada um tem seu tempo para nos contar sua história. Em suma: é uma história de esperança, de amor e de medos. Gosto de pensar Les Misérables como a obra mais humana que eu conheço. Apesar dos exageros que possui, pelo fato de ser baseado num livro também do século 19. Mas não vou me alongar nisso aqui, na resenha do livro eu farei isso.

Como disse antes, Les Mis aqueceu meu coração que antes era frio. Não foi de uma vez, precisei rever umas duas ou três vezes para notar o tamanho da história que estava ali na minha frente. Mas desde que isso aconteceu, não há uma única vez que eu não me emocione quando revejo essa história tão bem estruturada. Para se ter uma ideia, minha experiência no teatro pode ser definida em tremor, sudorese e taquicardia. Assim que as luzes se apagaram eu comecei a sentir a taquicardia começando e as lágrimas vindo e eu desabei no momento em que a orquestra começou a tocar. Pra resumir: eu assisti aos soluços. Tenho certeza que a senhora que estava ao meu lado me odeia! Ela não parava de me olhar como se falasse "se controle garota!". Eu tentei, não queria chorar no meio de pessoas estranhas mas chorei SIM.

Mesmo que eu tenha tentado me enganar dizendo que seria algo normal e sem muito importância, eu sabia da verdade não é mesmo? Assistir Les Mis no teatro é um sonho que se tornou realidade e isso não saia da minha cabeça em nenhum momento. Por alguns momentos eu pensava: "isso tá mesmo acontecendo?" e acho que a ficha só caiu mesmo quando chegou o intervalo e que notei que precisa ir ao banheiro imediatamente, naquele breve momento em que fiquei sozinha eu notei que sim, estava acontecendo!

Les Mis é feito de forma direta e ágil e dessa forma você nem percebe o tempo passar, e tédio é algo que passa longe do teatro, a não ser que você não seja fã de musicais e mesmo assim acredito que o tédio não irá te visitar. O que torna Les Mis tão acessível ao público é o fato de que sua história é universal mesmo sendo ambientada e tendo pano de fundo a França e seus problemas da época narrada. Há Jean Valjeans, Javerts e Fantines em todos os lugares do mundo. Assim como os problemas com a nossa sociedade não somem por completo conforme os anos vão se passando.

Esse foi o melhor espetáculo que eu já tive a oportunidade de assistir, como eu nunca tinha visto nada desse porte eu não tinha tantas expectativas ao entrar no teatro. Sabia que seria ótimo, mas foi muito além do que eu conseguia imaginar. Como eu estava acostumada com o filme e as músicas em inglês, o que mais me deixou com medo foi me deparar com versões que não me agradasse, mas felizmente as versões são muito bem feitas e fiquei bem feliz com o quão fiel o resultado ficou. Outra coisa que me assustou foi não entender uma palavra de Jean Valjean, isso porque o ator que o interpreta (Daniel Diges) é espanhol e devo dizer que fiquei surpresa em entender tudo bem mesmo com o seu forte sotaque.
E só mais coisinha quase irrelevante: Em todo o momento desde o anúncio eu não conseguia parar de pensar em como eles fariam para encaixar o '24601' na versão em português e quando vi Daniel no figurino que trazia o número '23623' e eu cantei o número e deu certo eu fiquei mais tranquila com o que estava por vir. Faz sentido? Talvez não, mas tamo aí.

Mesmo eu sendo super suspeita para falar, eu recomendo demais o espetáculo! Se você é fã de musicais ou mesmo de teatro no geral, tenho certeza que vocês não vai se arrepender. Eu não me arrependo e daria de tudo para ver de novo. 💛

O musical fica em cartaz até dezembro e passa de quinta a domingo no Teatro Renault em São Paulo. 
Site oficial.

Deixo vocês agora com o trailer da peça e a música "Só Mais Um" (One Day More)

11/08/2017


*livro recebido em parceria com a editora*

Recebi meu exemplar de "Uma História Simples" devido a parceria de ação do Grupo Editorial Record. Foi do nada, eu estava atrasada para um compromisso e entre a correria de terminar o que eu estava fazendo, trocar de roupa e pegar um livro para me acompanhar o carteiro bate palmas e grita em frente ao meu portão. Vou correndo atendê-lo, sem poder perder tempo e resolvo abrir o pacote pois eu não conseguiria não saber o que havia chegado. E eis que me encontro com esse pequeno livro com uma capa bonita e com cores que eu amo. Decido levá-lo comigo. 
Melhor decisão.

Sinto que eu precisava dessa leitura e parece que foi destino já que meu compromisso era aula de dança e o livro é sobre dança. Não danço malambo mas pude saborear os sentimentos narrados de forma mais intensa. E de quebra descobri sobre uma dança que eu não fazia ideia da existência. Na verdade eu já tinha visto homens vestidos com os figurinos mas não sabia de onde era. Mas, o que é o malambo?

"O malambo consiste na competição entre homens que se revezam no sapateado ao ritmo da música e requer grande habilidade técnica e prepara físico descomunal para ser executado. Entre dois e cinco minutos de apresentação, acompanhado de uma guitarra e um bumbo, o dançarino atinge uma velocidade que demanda destreza e a resistência de um corredor de cem metros rasos."

Em 2011 Leila Guerriero, uma jornalista argentina, foi até Laborde para contar a história de uma competição que acontece anualmente desde 1966: o Festival Nacional de Malambo de Laborde. Esse festival é ao mesmo tempo secreta e prestigiada e dura seis dias e coroa um homem que adquire a aura de herói perante o mundo do malambo. Mas há um porém, ao mesmo tempo que ser campeão de Laborde é seu ápice como dançarino ele também é seu fim. Isso porque o festival é tão prestigiado e adorado que para manter esse prestígio intocável, o campeão não participa de mais nenhum outro festival naquela mesma categoria.

Com a sutileza de uma narradora em primeira pessoa que está ali apenas pra observar e contar o que vê, Leila transmite para seus leitores a energia que permeia aquela pequena cidade nos dias de festival. O que encontramos ali são pessoas completamente apaixonadas pelo que faz, é possível sentir esse paixão passar a página a cada palavra e detalhe narrado. Os homens que ali competem são humildes e que gastam tudo o que tem para pagar aulas, treinadores, figurino e acessórios e transporte apenas para chegar ali e dançar seu malambo. É algo completamente impressionante.

O que mais impressiona é o apoio que esses homens possuem de suas famílias. Isso me choca pois na minha realidade quando alguém diz que quer percorrer seus sonhos artísticos (seja dança, teatro ou até mesmo literatura) os primeiros a dizer que não vai dar certo é justamente a família. E eu vivo em uma situação bem diferente desses homens. É lindo ver que mesmo que seus filhos passem dificuldade e lutem a vida toda para ser o campeão de Laborde, sua famílias apoiam. Claro, isso talvez seja porque no fundo todos possuem a fé que tudo vai melhorar assim que seu filho ou marido ganhar o competição. E de fato melhora. Ao conseguir ser campeão, além de toda a glória seus trabalhos começam a valer muito mais.

Há até um homem que sua história me interessou bastante pois para conseguir trabalhar e pagar sua preparação para a competição, teve que abandonar a faculdade de Antropologia. Ele explica que a faculdade estará ali para sempre mas a chance de competir em Laborde não. É mais que claro que aqueles homens fazem aquilo quase que exclusivamente por amor. E só quem tem a oportunidade de fazer o que ama sabe como é isso. Não posso explicar em palavras a felicidade que subir em um palco me traz. Sentir as luzes acima de mim iluminando meu corpo, o público ali na expectativa de ver o que eu tenho preparado. Como meu antigo professor de teatro dizia e eu concordo nada satisfaz mais do que os aplausos animados da platéia logo após ver você dar o melhor de si ali em cima.

Leila depois de um momento começa a focar seu livro em apenas um homem: Rodolfo González Alcántara. Ele acaba sendo vice-campeão de 2011 e volta a se apresentar em 2012, conseguindo o tão esperado título de campeão. Não sei nem o que dizer além de: esse livro é um dos melhores que li esse ano e sou grata por ter tido a oportunidade de tê-lo em minhas mãos. Como Mario Vargas Llosa diz sobre esse livro "Trabalho rigoroso, investigação exaustiva e um estilo de precisão matemática."

Título Original: Una historia sencilla
Autora: Leila Guerriero
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 98
Tradução: Rachel Gutiérrez
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09/08/2017


Como eu comentei na postagem sobre a série de TV (se você não leu é só clicar aqui), eu sempre acreditei que os livros eram melhores que a adaptação e para poder opinar sobre isso eu começaria a ler essa longa saga mais uma vez pessoal: 16 livros e 3 extras! e eis que eu comecei sim a leitura. E já tô animada para os próximos 18 livros!

Eu tenho certos problemas em começar séries, ainda mais as longas como Pretty Little Liars. Desde do fim de Harry Potter tem sido assim, eu li Divergente mas são só 4 livros entende? Bom, foi por isso que sempre tive certo receio em começar Maldosas. Pra ser sincera, eu não tinha muito interesse já que eu assistia a série. Mas depois de toda a decepção, eu resolvi finalmente dar uma chance.

Esse primeiro volume é praticamente o piloto de Pretty Little Liars o que é curioso para quem só assiste a série. Apesar de ser apenas o piloto, ele possui várias memórias de como era a amizade de Alison com as meninas. No prólogo, a história é começada nos contando um pouco da amizade das cinco e termina com o sumiço de Alison. Com o mesmo esquema da série, elas tem uma "festa" no celeiro da casa de Spencer e no meio da noite elas notam que Alison se foi. E nunca mais ouvem falar dela. Três anos se passam e nosso livro começa realmente.

Como é uma série longa, esse primeiro livro funciona mais como uma grande introdução do que está por vir. Agora que a amiga e líder do grupo está desaparecida e anos se passaram, as quatro garotas não são mais aquelas amigas de antes e por isso o livro é muito separado. Cada capítulo é dedicado a uma personagem e uma situação, dificilmente você vê elas interagindo uma com a outra. Entre seus dilemas adolescentes e meio adultos, que envolvem sexualidade e amadurecimento perante a vida, as quatro garotas começam a receber mensagens de uma pessoa anonima que assina como "A". Sendo segredos que apenas Alison sabia, elas logo desconfiam que tudo aquilo é uma brincadeira da antiga amiga e que o sumiço faz parte desse plano. Até que um corpo aparece.

Para quem viu a série, esse livro não é uma surpresa já que o piloto é até fiel aos acontecimentos aqui narrados. Sara Shepard tem uma narrativa cativante e te prende do início ao fim, e isso vem de alguém que sabe muitas coisas que vão acontecer. Li o livro praticamente em um dia e só não comecei o segundo volume porque já estou lendo outros e ficaria muita coisa para ler! haha

Uma coisa que me chama muito atenção nessa história e que eu espero que seja bem trabalhada mais pra frente é sobre amizades tóxicas. Acho que não é segredo de que Alison é uma péssima amiga. As garotas sabem disso mas continuam sendo suas amigas ou porque dessa forma elas conseguem o título de "popular" ou por chantagem da própria Alison. Como o livro nos fala, Ali dizia que eram os segredos que mantinham as cinco unidas. Mas na verdade isso era conversa pra ela se safar.


O livro é cheio de questões interessantes de serem pensadas e discutidas. Hanna por exemplo, sempre foi gordinha e Alison a fazia sentir horrível por isso o que a fez desenvolver um problema alimentar. Aria se envolve com um homem mais velho, entendo que eles tenham se conhecido antes de saberem mas é dever dele como adulto cortar isso e ele não faz. Emily é a filha perfeita mas que acaba se cansando de tentar ser perfeita sempre e descobre sentimentos amorosos pela sua nova amiga Maya, sem contar do preconceito da sua mãe já que Maya é negra. Spencer vive em competição com a irmã e isso é alimentado por sua família e quando ela acaba se pegando com o noivo de Melissa, a família esquece que ela não se beijou sozinha e joga a culpa toda nela.

Em suma, eu adorei o livro!
Mesmo tendo todo um clima que eu não acho legal, garotas contra garotas, acredito que a série acabe amadurecendo conforme for passando. Assim eu espero.
De qualquer forma, adorei ter finalmente começado e não vejo a hora de ler mais!

Título Original: Pretty Little Liars
Série: Pretty Little Liars #1
Autora: Sara Shepard
Editora: Rocco Jovens Leitores
Páginas: 296
Tradução: Fal Azevedo

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